A consciência sobre a importância de um ambiente livre de contaminação é muito antiga. Isso vem desde os tempos mais distantes, quando os fabricantes de medicamentos entenderam que era fundamental realizar a limpeza microbiológica dos produtos que eram manipulados. Já naquela época era entendida a importância da higiene em ambientes assim. Hoje, as salas limpas são essenciais em diversos setores, garantindo a integridade de processos e produtos.
A partir disso, começou-se a olhar com outros olhos a questão da contaminação crítica “invisível”. Ou seja, os contaminantes que não conseguimos enxergar, mas que devem ser controlados. As primeiras abordagens científicas a respeito do assunto ocorreram com os médicos Semmelweis e Lister. Utilizaram alguns métodos de desinfecção em ambientes hospitalares e salas de cirurgia e, com isso, obtiveram como resultado a drástica redução de infecção, bem como da taxa de mortalidade dos pacientes que eram tratados naqueles ambientes.
Tabela de conteúdos
Inicialmente o objetivo da implementação de ambientes controlados era de preocupação exclusivamente com a saúde das pessoas. Contudo, não demorou muito para entender a importância de se ter cuidados com os produtos que são sensíveis à contaminação. O cuidado iniciou-se já na metade do século passado, então, começaram a ser manipulados em ambientes controlados:
- Produtos farmacêuticos;
- Aparelhos médicos;
- Turbos compressores automotivos;
- Módulos fotovoltaicos;
- Unidades de disco rígido;
- Displays de tela plana e circuitos integrados;
- Entre outros.
Vários setores entenderam a importância e passaram a adotar as tecnologias de Salas Limpas em seus processos produtivos. Isso apenas aponta o crescimento diário das aplicações de ambientes controlados com o objetivo de diminuir a contaminação prejudicial em produtos manipulados, e também, preservar a saúde humana.
Para que os riscos e problemas com contaminação interna chegassem a níveis controlados, ou seja, não críticos, os mecanismos e tecnologias de salas limpas foram desenvolvidos e tornaram-se fundamentais para o bom funcionamento e preservação da qualidade dos materiais, afinal, através da filtragem constante, troca e circulação do ar, foi possível realizar a remoção de partículas bióticas e abióticas do ambiente de produção.
Salas limpas na medicina
Atualmente, o que surge como tendência nas indústrias médicas é totalmente voltado a produtos inovadores, com alta durabilidade e de qualidade excelente, objetivando otimizar todos os benefícios proporcionados aos pacientes, diminuir estresses físicos ou psicológicos e também proporcionar as reduções de custos.
A indústria desse setor precisa, constantemente, de alto potencial de medidas inovadoras. E para que sejam realmente competitivos no mercado, é necessário que os produtos sejam de alta qualidade, para que a saúde das pessoas que entrarão em contato com ele seja preservada (desde pacientes até médicos, enfermeiros, etc.).
É importante ressaltar, também, que manter a higienização de equipamentos médicos, como os aparelhos, instrumentos cirúrgicos reutilizáveis, implantes, entre outros, é fundamental.
Porém, mesmo que todos saibam que a manutenção de um ambiente limpo é fundamental, ocorre que ainda existem diversos problemas no quesito “limpeza” em dispositivos médicos, causados pela má higiene. Então, é fundamental a conscientização de que o investimento em salas limpas é necessário para o bom funcionamento de todos os processos e a segurança de todos.
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Salas limpas no setor aeroespacial
No setor espacial são importantíssimos alguns padrões rígidos de durabilidade, confiabilidade e desempenho de satélites e naves. Estes padrões devem ser seguidos rigorosamente para que os equipamentos suportem condições extremamente estressantes no espaço. E, para que isso seja possível, é importante contar com as melhores tecnologias de limpeza para que tudo seja feito e produzido da maneira mais segura e assertiva possível.
Ao seguir essas políticas regulamentadoras, são eliminadas as possibilidades de transmissão de contaminação terrestre no espaço ou vice-versa. Ou seja, nem as formas de vida terrestres, como os microrganismos (bactérias, esporos, etc.), por exemplo, podem contaminar o espaço, assim como não é permitido que a terra seja contaminada por formas de vida desconhecidas, que seriam trazidas das amostras no retorno das missões.
Os padrões de limpeza e normas são estabelecidos para minimizar quaisquer tipos de resultados falsos e interpretações erradas. Dessa maneira esse segmento reúne os requisitos de controle de contaminação da indústria de semicondutores e da indústria farmacêutica, que são extremamente desafiadores.
Então, para que os níveis higiênicos sejam garantidos no hardware de voo, é necessário que os processos de limpeza sejam realizados. Ou seja, é preciso que boas tecnologias de limpeza sejam adotadas, afinal, uma vez que é realizada a higienização, é fundamental adotar conceitos adequados para que a recontaminação do hardware não aconteça, durante toda a fase de montagem e integração.
Validação das tecnologias de limpeza
Para que seja evitada a contaminação cruzada do ambiente e do operador, as etapas de validação precisam ser executadas em um AMC (Airborne Molecular Contamination) que é controlado em uma Sala Limpa ISO Classe 1, de acordo com ISO 14644, por operadores treinados e qualificados para executar tal função.
Nesse processo de teste de verificação das tecnologias de limpeza é preciso determinar a contaminação quantitativa antes e após do procedimento de limpeza e isso pode ser feito das seguintes maneiras:
- Para que sejam detectadas as partículas em superfícies, podem ser utilizados mecanismos que contam partículas automaticamente em uma superfície;
- Agora, para que a contaminação molecular orgânica seja detectada, é possível a utilização de um Cromatógrafo a gás, combinado com um espectrômetro de massa (GCMS-TD).
Todas as técnicas que são utilizadas devem ser instaladas em ambiente limpo e controlado, para que os processos sejam feitos corretamente.
Há também uma tecnologia muito promissora e extremamente eficaz de limpeza: a Neve de CO2. Além de precisa é muito indicada para as aplicações espaciais, afinal, ela pode remover a contaminação das partículas bióticas/abióticas e molecular (orgânica) ao mesmo tempo.
Salas limpas na indústria automotiva
Nos últimos anos, puderam-se observar alguns problemas de qualidade nesse setor, como a contaminação por partículas residuais (principalmente as metálicas >50μm). Elas causaram inúmeros comprometimentos funcionais nos automóveis, entre eles, comprometimento do sistema de combustível, circuitos de freio, sistemas de lubrificação, hidráulico, de refrigeração, de ar-condicionado, entre outros. Também prejudicam unidades mecânicas e eletrônicas. Até mesmo as partículas em quantidade pequena podem ocasionar problemas graves.
Inspeções de limpeza
A diretriz do VDA 19 (2004) tem como principal objetivo descrever as condições necessárias de aplicação dos métodos de inspeção para que seja possível determinar o estado de contaminação por partículas dos componentes. São três etapas que devem ser realizadas e são executadas em ambientes com as classes de limpeza estabelecidas, confira:
- Extração de partículas;
- Filtragem;
- Análise.
O estado de limpeza das partículas de um determinado componente aponta as características de qualidade funcional.
Montagem limpa
A diretriz 19,2 do VDA visa auxiliar no planejamento de áreas de montagem e ambientes, além de otimizar as que já existem, em relação ao controle de contaminação. Elas devem seguir as seguintes abordagens:
- Impedir que ocorra contaminação por partículas críticas em locais sensíveis;
- Remover partículas inevitáveis;
- Deve proteger componentes e sistemas de montagem contra a entrada de partículas;
- Evitar a recontaminação dos componentes limpos.
Essas orientações têm a finalidade de citar fontes relevantes. Isso ocorre para que as medidas corretas sejam tomadas e custos desnecessários sejam reduzidos.
Conclusão
É extremamente frequente que novos mercados conheçam as vantagens de obter níveis elevados de limpeza e o quanto isso impacta na qualidade dos produtos e em sua confiabilidade. Ao transferir as tecnologias de salas limpas, já conhecidas e estabelecidas em diversos ramos industriais, é permitido que ocorra a diversificação de tecnologias de limpeza, ocasionando a evolução conjunta de conceitos e métodos de limpeza já estabelecidos. Dessa maneira, as Salas Limpas continuarão um mercado de constante evolução, aprimoramento e extremamente positivo para os setores industriais.





