Garantir a qualidade do ar em áreas controladas é uma condição prévia indispensável para evitar a contaminação direta ou cruzada em ambientes sensíveis – como os hospitalares e os de testes ou de manufatura de produtos farmacêuticos, alimentícios, cosméticos, microeletrônicos, que necessitam envase ou encapsulamento de medicamentos ou componentes químicos -, mantendo-os livres da presença de micropartículas e agentes patogênicos que podem interferir em um resultado desejado.

A concentração dessas partículas totais em suspensão no ar, como resultado de ensaios de medição controlada, é o que classifica um ambiente como sala limpa. Por isso, a assepsia é tão importante e envolve parâmetros de acesso, esterilidade, isolamento e, especialmente, sistemas de filtragem do ar. Esses sistemas de purificação e climatização estão relacionados ao fluxo de ar na unidade de entrada, ao controle do nível de umidade, temperatura e pressão.
Estágios da filtragem
Nas salas limpas, o sistema para alcançar uma qualidade de ar altíssima com a filtragem de partículas sólidas requer alguns estágios de filtragem, a exemplo do uso de pré-filtros grossos, filtros finos e filtros absolutos (Hepa, do inglês High Efficiency Particulate Arrestance – esse filtros retêm contaminantes como fungos, bactérias, esporos e fumaça).
A esse conjunto de equipamentos de filtragem para controle e remoção de partículas microscópicas em suspensão podem ser acrescentadas etapas complementares, com filtros de carvão ativado para filtragem de gases e odores e filtros de sílica para retirar umidade do ar.
Quanto à captação do ar, ela pode ser atmosférica ou enclausurada e a liberação em salas fechadas ou na atmosfera. Além dos filtros, pode haver ainda a necessidade de ventiladores, caixas, dutos, difusores de ar e sistemas de ar condicionado para determinar a vazão e a qualidade do ar insuflado na sala limpa, além do fluxo de ar, se unidirecional ou não.
Sistema de filtragem para salas limpas

Na prática, os elementos filtrantes são fixados em molduras para acomodação das células ou mantas filtrantes, oferecendo sustentação para ancorar dispositivos de vedação e aperto. Esses dispositivos vão garantir que o fluído percorra o caminho desejado e seja efetivamente filtrado, sem contornar os filtros (by pass).
Isso se faz necessário porque em um sistema de escoamento fluidodinâmico, o percurso menos resistente será sempre o percorrido pelo fluido. Outro meio de garantir a filtragem é a instalação de barreiras não permeáveis aos gases, separando-os do conjunto da filtragem a montante (lados sujos) e a jusante (lados limpos).
Monitoração do mecanismo filtrante
O monitoramento da eficiência do conjunto filtrante fica por conta dos ensaios e dos recursos necessários para sua medição. Isso não deve ser renunciado em um projeto de sala limpa, caso contrário não será possível prever saturação ou vazamentos de elementos filtrantes, molduras, vedações e barreiras.
A troca dos filtros e a substituição de elementos pré-filtragem também são pontos de atenção, para manter o desempenho do sistema e garantir a conformidade das salas limpas ao longo de sua vida útil.
